Surfista de Ubatuba, que cresceu acompanhando o trabalho dos pais em passeios turísticos de barco, enfrenta Jordy Smith na repescagem, em busca de vaga nas oitavas
O contato com a água está no meu sangue". Convidado para o Rio Pro, etapa brasileira da elite do surfe mundial, Gabriel Klaussner carrega no peito toda a história de uma família tradicional do litoral de São Paulo, que sempre foi ligada ao mar, seja para pagar as contas ou pelo prazer do esporte. O jovem de Ubatuba cresceu acompanhando o trabalho dos pais em passeios turísticos de barco e aos nove anos decidiu que seria surfista profissional. Agora, 11 anos depois, terá o desafio de encarar o número 1 do mundo Jordy Smith em uma bateria eliminatória da nona etapa do Circuito Mundial de Surfe.
A janela da nona parada do CT, em 2025, começou no último sábado e vai até o dia 29. Todas as manhãs, por volta de 7h (de Brasília), é feita uma chamada para ver as condições do mar. Após dois dias sem competição, a expectativa é que o evento seja retomado nesta quarta-feira. O Rio Pro tem transmissão ao vivo dos canais sportv, e o ge.globo acompanha todas as baterias em tempo real.
Antes de sonhar em entrar para o CT ou pegar suas primeiras ondas, Gabriel já vivia no mar. Seus pais sempre trabalharam com passeios turísticos de barco no litoral de São Paulo, e o pequeno morador de Ubatuba acompanhava a família nas expedições. Mesmo sem saber ainda sobre seu futuro como surfista profissional, Gabriel já sentia que o mar fazia parte de sua vida.
– A família, por parte do meu pai, é caiçara. Minha avó nasceu na Ilha Anchieta, meu avô é de Caraguatatuba, mas nasceu na beira da praia também. Minha mãe já é de São Paulo. Eles trabalham com turismo náutico na Praia do Lázaro, mergulho, banana boat, passeio de lancha. Eu tenho esse contato com a água desde bebê, e eu lembro que ficava dormindo no pé do meu pai na lancha com ele trabalhando. Então, esse contato com a água está no meu sangue – comentou Gabriel.
Há duas semanas, Klaussner recebeu o convite para participar da nona etapa da WSL e competir contra os melhores atletas da atualidade. O jovem de 20 anos se emocionou com o sonho sendo realizado e dividiu com a família a notícia surpreendente de uma vaga no maior campeonato de surfe da América do Sul. No primeiro round, o surfista enfrentou dois grandes nomes do circuito: o sul-africano Jordy Smith e o americano Cole Houshmand, que ganhou a bateria e se classificou às oitavas. Na repescagem, o brasileiro vai enfrentar novamente Smith, atual número 1 do mundo.
– Fiquei nervoso, mas só me deixou mais instigado e com mais vontade de ganhar. Meu maior sonho é estar aqui, vestir essa lycra em tempo integral – disse Gabriel.
Gabriel Klaussner na primeira rodada em Saquarema — Foto: WSL
Fabio Nunes, pai de Gabriel, foi quem o ensinou a subir na prancha pela primeira vez. Além de ser um sonho do próprio filho, a vaga para o campeonato mundial é uma conquista da família.
– Difícil até de falar, né? É uma emoção muito grande. Tudo que a gente sonhou hoje está se realizando. Eu comecei a surfar com 10 anos de idade. O Gabriel começou a surfar bem pequenininho, mas depois ele abandonou o surfe e começou a jogar futebol. Pai é pai, a gente tem que fazer o que os filhos gostam, mas o meu sonho sempre foi ele ser um atleta profissional vivendo o surfe. Com nove anos, o surfe entrou no sangue dele e graças a Deus está aí. Há três anos seguidos ele bateu na trave para entrar para o Challenger Series. Chegou a competir algumas etapas do como convidado e esse convite foi inacreditável. Realização de um sonho mesmo para a família – disse o pai do surfista.
Fabio Nunes e Lilian Klaussner acompanham o surfista Gabriel Klaussner em Saquarema — Foto: Winne Fernandes
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